Pelo vidro embaçado da janela, ela podia observar as árvores, com suas pequeninas folhas secas amareladas caindo pelo chão de terra molhada, o que ela sabia que era consequência das inúmeras chuvaradas que haviam acontecido corriqueiramente, agora que o Outono havia chegado.
Ela esfregou as mãos geladas, em uma supérflua e inútil tentativa de aquecê-las, soltando baforadas quentes pela boca enquanto observava o vento sacudir os frágeis galhos das árvores, lá fora.
Embora estivesse silêncio, na salinha da poltrona confortável onde ela sentava, na sua mente, milhares de vozes falavam e ainda mais, gritavam, mas o que ainda gritava mais alto, era o som. A música que ela ouvia e repassava mentalmente, milhares de vezes, o refrão.
Finalmente despregando o olhar do vidro da janela, ela observou, por sua vez, o copo vazio de ontem, ainda em cima da mesa, a qual ela percorreu por inteira com seu olhar, parando-se no copo sem o chá quente que outrora havia lhe acalmado a tosse forte e feito-lhe dormir tranquilamente até as onze horas sem abrir os olhos cansados de noites acordando na madrugada, os que haviam lido páginas amareladas e velhas, das quais ela nunca cansava, e nunca cansaria.
Ajeitou-se na poltrona, voltando a observar, incansavelmente, além do vidro da janela. Sentada, vendo cada movimento, cada pessoinha com seu guarda-chuva, caminhando apressada para chegar em casa, no quentinho confortável, pronta pra tomar uma bebida quente e sentar em cadeirinhas. Ler um livro, talvez. Ou então, ver um filme. Ou simplesmente adormecer e descansar até quando a noite chegar.
imagem do We © It
Nossa,ficou muito bom.
ResponderExcluirEu até imaginei e visualizei a cena =)
Obrigadaa ! *--*
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